segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje estamos por cima, hoje estamos com asas coloridas e mascaras azuis de felicidade, riso cortante, olhos que brilham como os olhos dos loucos do terminal... mergulhos constantes no rio leteu. Abrimos a boca e já não sai nada, nenhuma palavra de equivoco, nenhuma injuria, sem pragas fatais, sem cobranças de sangue, nenhuma réstia do que foi ontem... Ontem?! E hoje chove, hoje chove como nunca choveu antes, gotas de chuva que caem sobre nosso corpo dolorido, dolorido, mas feliz. Que dor é essa afinal? Sem culpa, mergulhamos de novo no rio leteu.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Embreagues Devota

Me vejo na terra, sangrando,
ferido, sigo sem rumo,
vinho e ervas consumo,
aos céus eu subo sonhando,
os acertos e erros contando
na fumaça torpe das nuvens,
fico a esperar que me julguém
os seres alados da morte,
dopado, ferido, sem sorte
visagens felizes me iludem,
viram, reviram e confundem
os sentidos reais de minh'alma
e tudo isso me acalma
das dores que tenho sentido.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Meu desespero não é poético
Meus desejos não são líricos
a fome do mundo me cerca
da matéria viva do cotidiano.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ao deus dará!

...E Deus criou os céus,
a terra e o Homem.
no sexto dia contemplando a criação, disse:
- QUE PORRA É ESSA!!!
e nunca mais criou nada,
deixando os homens ao deus dará.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Nem ponto
nem vírgula
me separam
do infinito

CANÇÃO DE UM FILHO DA PUTA

Que consagrem-se os amigos
que me trouxeram até aqui
com adornos místicos
e uma grande e brilhante auréola

Que queimem meus inimigos
que me pintaram
nos muros de sôdoma
como um grande demônio

Estavamos todos perdidos
quando caiu a noite
todos nós jogados
todos pelas sargetas

Irmãos,
filhos da velha puta
mãe dos homens
mãe dos desgraçados
os olhos da verdade
estão cegos...
Ó mãe dos desgraçados
levai-me para os sórdidos recantos da escuridão
acalenta-me entre os seus
alimenta-e com tudo o que é vil
Ó mãe, ó mãe...
a pureza está perdida
e nada será como antes.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Aqui ponho um ponto final
Estabelecendo o fim desse silêncio