terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um velho louco se debruça
sobre as janelas do pensamento
onde o verbo se faz carne
e do caos brota o mundo

Mira-se no espelho de Narciso
molda o esterco com as mãos
dando-lhe forma e conteúdo
um escarro, porém, lhe dá vida

O velho fica a esgueirar-se
espionando sua criação
dia após dia fica se escondendo
a rir do seu patético brinquedo

No brilho doentio de seus olhos
pode-se ver o azul celeste
e na aridez de sua pele
todas as chagas do mundo

os mais divinos entorpecentes
o levam aos desertos do norte
o levam a terra de púrpura
e todo mundo conhecido

Dias e noites...dias e noite
o ciclo infinito da existência
razão cósmica insuprimível
geradora da total insanidade

O velho aguarda aborrecido
por infindáveis anos a fio
no tédio da ridícula onisciência
a morte que teima em não vingar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Penso logo resisto
a contradição do mundo
acaba com isso?
penso logo resisto

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nota de rodapé
ou trecho suprimido
anjos
são demônios subidos

domingo, 18 de setembro de 2011

Torto,
errado e sem nexo
me assento
circumplexo
em cima seu sexo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Noite, dia
prosa e poesia
gozo e agonia
vida, morte
e o inverso

tudo cabe
no meu
universo
verso
verso
verso

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Bebo, rio e risco
No fundo do copo
O osso do ofício

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Amar demais consome
O beijo, a saliva, a fome
O dedo, o anel, o nome
No final das contas
Soma-se um
Some-se outro.