domingo, 13 de dezembro de 2020

     Cupins, sem cerimônia

  de um poema de Leminski

        banquete de colônia

O sertão e o nada

 

 

Como você sabe

o mundo inteiro cabe

embaixo do Juazeiro

Entre o inverno

o verão

o sertão e o nada

do que é escrito no cabo da enxada

meu pai se fez doutor

Não aprendeu do amor

por que do amor não se aprende

Nessas terras de mulheres e homens fortes

antes de tudo o verbo

que quando se faz carne

a gente come

sem dó nem cerimônia.


domingo, 27 de setembro de 2020

Está traçado algum plano,

              se não me engano,


entre as esperanças de Gil

 e o ceticismo de Caetano.

Ela 

Amanheceu pra poesia


Pisar em folhas secas

E sonhar com asas de passarinho é seu regalo


Ela

Caminha 

Com pés de Barros 

Os fios

Brancos

Das barbas 

de Campos

Caem


Deixando 

Sinais

De poesia


Pa

     Lavra

Do velho veio

Da mina

A sílaba sibilina 

Entrando em transe na rima

Certa a mente vaticina

O anjo escondeu de Maomé

Se perdeu nas leituras de Calvino

Por acaso

A verdade absoluta

Só foi revelada a Jean-Paul Sartre

A liberdade é nosso único destino