sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nem pro inferno
Nem pro céu
Preto
no branco do papel.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Feitiço (de aqui e lá)

Moça bonita, olhos de gazela
Patas, passos de bicho do mato
Lentamente arranhando o asfalto
Cascos no caldo do groso da noite

Sibilina, moça traiçoeira
Ainda morro de falta da sua mordida
Rastejando sobre a armadilha
Escama fina vem roçar a minha pele

Predadora, ave de rapina
Moça morena, com a lua prateada
Silenciosa voa a madrugada
E te acolhe seus galhos sombrios.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A retórica cobriu com um manto
A estética rasgou o véu
A retórica se encheu de espanto
A estética cobriu de mel
A retórica lambeu o pote
A estética cuspiu no prato
A retórica pegou o mote
A estética rasgou contrato

Aparência
Aparência
Aparência

Aparência é a essência da arte!

quarta-feira, 30 de março de 2011

As duas horas da tarde
Sonhos incômodos
Dançam sob meu colchão
Afundando a cama a cada paço
Como num passe de mágica
Sonhos vêm, sonhos vão
Pesados como chumbo
Ou leves como algodão
Sonhos de hora errada
Sonhos de perdição
No calor de meu quarto
Sujo e escuro vão
Me afundo e perco as horas
As duas horas da tarde.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Acalanto

Acalanto, lento acalanto.
Deixa-me dormir
As portas do meu amor
Ter o vento da noite
como cobertor.

Dorme, dorme, dor do meu peito
Que eu canto pra ti nessa noite escura
Dorme, dorme dor e amargura
Que eu canto pra ti nessa noite escura.

Melancólica é a melodia
Que embala noite
Que avança ao dia
Que me traz o vinho, a vida, a poesia.

Dorme, dorme que eu canto pra ti nessa noite escura.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Silenciosa a mente.
Ouço o tic-tac
do meu relógio digital.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PORRADA!
Um discurso
curto e grosso.