Recolho as pedras do caminho
e faço a minha barricada
A revolução não vai ser televisionada
nem precisará de facebook
por enquanto
eu aguardo ansioso
e trabalho com as formigas
por que, mais dia menos dia
isso tudo vai explodir
a burguesia vai cair,
a branquetude,
o patriarcado.
E aí! Você fica de que lado
Brado: Para onde foi o sangue derramado
das veias abertas da América Latina?
Alimenta a fina flor da insurreição!
no meu peito
um coração que ninguém manda,
no meu peito
um coração que pulsa
junto a cada povo que se levanta.
Anda!
Caminha!
Avança!
Já foi plantada a semente da revolta...
Pra senzala ninguém volta!
me solta
que hoje nada está tranquilo
creio ter ouvido um estribilho:
"De pé ó vítimas da fome!"
Do outro lado alguém grita meu nome:
"Ô Zé Povinho!"
Recolho e atiro as pedras do caminho.
Em cada país do terceiro mundo
uma intífada
a revolução não vai passar no fantástico
ou irromper no Faustão
Não!
Os plebeus que se conformem
com o grito ensurdecedor das ruas.
Jovens mascarados
e moças nuas...
é a vida que explode como se transformasse em carnaval
(não vejo nisso nenhum mal).
A verdade vai bater em sua porta e lhe disser:
não espero nem mais um instante!
Isso mais dia ou menos dia
mas, não espere sentado
por que não vai ser televisionado
e nem vai passar
em um cinema perto de você.
sábado, 21 de março de 2020
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
OS CINCO CORTES DAS FACAS GINSU
PRIMEIRO CORTE
A faca corta o cordão
Gosto de carne e sangue
Cortar e fazer sangrar
Futuro vício da lâmina
SEGUNDO CORTE
Com a faca afiada
aos poucos corta-se muito
Da lida a vida
corte profundo
corta-se a alma
corta-se o mundo
pelo corte me foge
a essência.
Eis a ciência da lâmina.
TERCEIRO CORTE
Como do corte da faca a ferida
Só uma coisa na vida é certa
Que venha a morte
Sorte pra quem fica
Fossemos mais sábios...
e a faca cega.
Nota de roda pé:
[2008, ano de minha morte
Secionadas as veias do coração
Foram-se os dedos onde antes haviam anéis
Meteram-se pés pelas mãos.
Dia sim, dia não
Sigo eu os sinais de sangue
Da origem aos seus pés
A faca em seu novo corte! ]
sexta-feira, 19 de julho de 2019
sábado, 8 de junho de 2019
A volta.
Jesus vai voltar
vai voltar como favelado
preto, pobre, da quebrada
vai pregar no sarau da periferia
levar baculejo, tapa e esculacho da PM
Jesus vai voltar
vai voltar como mulher
vai levar a primeira, a segunda e a terceira pedra
vai tombar quase morta
enquanto lhe chamam:
PUTA!
Jesus vai voltar!
vai voltar como travesti
vão lhe cuspir na cara
vão lhe chamar de aberração
chute, pedra, tiro
vai sussurrar pelo pai
agonizando no meio fio
Jesus já voltou!
Como? Você nem viu!
quase tropeçou sobre seu corpo
"Filho da puta! Atrapalhando a passagem"
Caminhava apressado
Avistando, distante, as portas da igreja.
vai voltar como favelado
preto, pobre, da quebrada
vai pregar no sarau da periferia
levar baculejo, tapa e esculacho da PM
Jesus vai voltar
vai voltar como mulher
vai levar a primeira, a segunda e a terceira pedra
vai tombar quase morta
enquanto lhe chamam:
PUTA!
Jesus vai voltar!
vai voltar como travesti
vão lhe cuspir na cara
vão lhe chamar de aberração
chute, pedra, tiro
vai sussurrar pelo pai
agonizando no meio fio
Jesus já voltou!
Como? Você nem viu!
quase tropeçou sobre seu corpo
"Filho da puta! Atrapalhando a passagem"
Caminhava apressado
Avistando, distante, as portas da igreja.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Da viajem
Á Italo Coelho
A fumaça
nada indica
em linha reta
sigo a seta
[o caminho das flores]
antes que seda
e se quede
como se fosse
cann. sativa
A fumaça
nada indica
em linha reta
sigo a seta
[o caminho das flores]
antes que seda
e se quede
como se fosse
cann. sativa
sexta-feira, 19 de abril de 2019
De um arauto terceiromundista
Eu que sou filho da Terra
eu que sou filho da Mata
eu que sou filho do Sol Inclemente
eu que sangrei e que sangro
Não me rendi
e não me renderei
Hei de permanecer plantado
na alma de quem se move e luta
Aponto minha lança para o futuro
disparo certeiro no coração do mito...
o que mais-valia já não vale tanto
emergindo da lama do espanto
voltarei
para reclamar o mundo
e a essência que a mim pertence.
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